Um Padrão para Dimensionar Diagramas ArchiMate

postado em 23 de ago. de 2020 06:26 por Antonio Plais   [ 23 de ago. de 2020 06:29 atualizado‎(s)‎ ]
Originalmente postado por Bernd Ihnen*, no blog da BiZZdesign - Tradução autorizada

Em uma série de postagens anterior discutimos a importância da comunicação para transformações estratégicas. Isso afeta muitas funções e vários papéis na sua organização ao fazer diferentes perguntas, tais como:
  • Quais capacidades eu preciso para suportar munha transformação de negócio?
  • Quais capacidades um aplicativo suporta?
  • Quais são as interfaces entre os aplicativos?
  • Qual o risco para um aplicativo o uso de uma tecnologia no final do ciclo de vida?
Usar um framework holístico como o ArchiMate para capturar arquiteturas corporativas permite que você responda estas e muitas outras perguntas de negócio. Mas como você separa as arquiteturas em diagramas simples para torná-los mais fáceis de criar e usar?

Uma abordagem padrão para descrever arquiteturas é a ISO 42010, que inclui a definição de pontos de vista como especificação para a construção de diagramas. Estes diagramas, por sua vez, servem a diferentes papéis e realçam as suas preocupações. Esta abordagem comprovada é usada no TOGAF, no ArchiMate e em outros frameworks.

O Desafio

Depois de definir as suas partes interessadas e as suas preocupações, você provavelmente terminará com uma lista de questões de negócio que você quer responder. O desafio é saber como separar a informação que você coleta em diagramas fáceis de ler. Para alcançar isso, você precisa reduzir a complexidade dos diagramas. Reduzir a complexidade serve a dois propósitos:
  1. Reduzir a complexidade para criar os diagramas (pelo especialista)
  2. Reduzir a complexidade para consumir os diagramas (pelas partes interessadas relevantes)
Existem várias técnicas para reduzir a complexidade, muitas das quais são descritas no livro "Enterprise Architecture at Work", escrito por Marc Lankhorst e outros. Um indicador-chave que impacta na complexidade visual de um diagrama é o número de tipos de objetos e relacionamentos diferentes mostrados.

Neste caso, nós usamos o framework ArchiMate para definir pontos de vista que descrevem o que você tem permissão para usar ao criar o diagrama. Os principais conceitos no ArchiMate são os elementos (da arquitetura), tais como capacidades, processos de negócio ou aplicativos, bem como os vários tipos de relacionamentos. Isso leva a duas abordagens para orientar a definição de pontos de vista: selecionar os elementos relevantes ou selecionar os tipos de relacionamento.

Selecionar os elementos para um ponto de vista pode, no entanto, colocar você em desvantagem. Isso porque você, geralmente, pode empregar cinco ou mais tipos de relacionamentos entre dois objetos, o que força você a selecionar o relacionamento correto a partir de uma lista fornecida. A outra abordagem para criar pontos de vista é agrupar os relacionamentos e, então, selecionar os elementos. No ArchiMate, os relacionamentos já são agrupados em relacionamentos estruturais, dinâmicos, de dependência etc., o que pode ser usado para guiar a criação de diagramas mais simples com baixa complexidade.

Um padrão para definir pontos de vista dos diagramas

Você pode ver como criar diagramas mais simples por meio dos exemplos abaixo, que começa com a divisão do conjunto de relacionamentos em grupos separados. O padrão ArchiMate descreve vários grupos de relacionamentos:
  • relacionamentos estruturais, que modelam a construção ou composição estática de conceitos do mesmo tipo ou de tipos diferentes.
  • relacionamentos de dependência, que modelam como os elementos são usados para suportar outros elementos.
  • relacionamentos dinâmicos, que são usados para modelar as dependências comportamentais entre os elementos.
  • outros relacionamentos, que não se encaixam em nenhuma das categorias acima.
Começando com os relacionamentos estruturais, você pode usar apenas o relacionamento de composição para descrever a hierarquia dos elementos, e o relacionamento de realização para descrever o que os elementos realizam. Você pode usá-los, por exemplo, para mostrar do que as capacidades são compostas e para mostrar quais aplicativos realizam uma capacidade. Diagramas com esta informação ajudam a responder as perguntas de negócio mencionadas acima. Para expandir esta descrição dos principais elementos de uma capacidade, você pode adicionar os processos e atores de negócio à este ponto de vista. Desta forma você pode ter uma visão geral de quais pessoas, processos e tecnologia você precisa para realizar uma capacidade específica.


Diagrama Gerenciamento do Cliente

Lembre-se, pontos de vista descrevem aquilo que você pode usar para criar um diagrama. O diagrama acima mostra um exemplo de ponto de vista que permite apenas o uso dos conceitos ArchiMate de Capacidade, Ator de negócio, Processo de negócio, Componente de aplicativo, e os relacionamentos de Composição e Realização. Com esse ponto de vista, nós limitamos significativamente os conceitos disponíveis para este tipo de diagrama e os possíveis relacionamentos entre dois elementos. Para relacionar capacidades, nós só podemos usar um tipo de relacionamento (composição) ao invés dos sete possíveis. Para relacionar pessoas, processos e tecnologia, podemos usar apenas um tipo de relacionamento (realização) ao invés dos dois tipos possíveis.


Tipos de relacionamento possíveis

Usando o mesmo padrão em camadas diferentes

Você pode usar o padrão acima para criar mais diagramas estruturais usando estes tipos de relacionamento para compor elementos ou mostrar o que os elementos realizam. Mostraremos isto em uma outra postagem, junto com outros pontos de vista estruturais, para demonstrar a aplicação do mesmo padrão em diferentes camadas da arquitetura.

A funcionalidade de configurar seus próprios pontos de vista é parte da nossa ferramenta BiZZdesign Enterprise Studio. Se você quer conhecer mais sobre estas e outras funcionalidades do Enterprise Studio, entre em contato e solicite uma demonstração.


* Bernd Ihnen é Consultor e Instrutor da BiZZdesign, empresa líder em ferramentas para modelagem da arquitetura corporativa, representada no Brasil pela Centus Consultoria.