A Caixa de Ferramentas do Arquiteto de Negócios: Mapeamento de Informações

postado em 8 de mar. de 2017 05:44 por Antonio Plais   [ 13 de mai. de 2019 09:41 atualizado‎(s)‎ ]

Originalmente postado por Marc Lankhorst & Tim Vehof*, no blog da BiZZdesign - Tradução autorizada


Mapas do Negócio são instrumentos essenciais na caixa de ferramentas de todo arquiteto de negócio. O Guide to the Business Architecture Body of Knowledge (BIZBOK Guide®) define quatro domínios centrais da arquitetura de negócio: Fluxos de Valor, Capacidades, Organização e Informação.


Figura 1. Domínios Centrais da Arquitetura de Negócio

Nas postagens anteriores, discutimos o mapeamento de Valor, o mapeamento de Capacidades e o Mapeamento da Organização. Aqui, nós vamos elaborar o último domínio, Informação, que se tornou central no modelo de negócio de muitas empresas. Por exemplo, abordagens de Big Data e Analíticos são usadas para entender as necessidades e desejos dos clientes e oferecer soluções personalizadas para eles. Assim, uma visão das informações orientada para o negócio é essencial.

Informação

Informação é a combinação de dados e de um contexto para interpretação destes dados. A interpretação vem da associação entre os dados e as capacidades, processos e decisões de negócio, e estas associações fornecem o contexto para a interpretação dos dados. Informação acurada, oportuna e relevante é crucial para a boa tomada de decisões e para a inovação. O conhecimento resulta desta habilidade para aplicar a informação para resolver um problema ou criar valor.

"Informação e conhecimento são ativos chave na atual economia orientada para o trabalhador do conhecimento."

Embora 'dados' seja, em geral, considerado um domínio da TI, informações de negócio são a linha de base a partir da qual o conhecimento de negócio evolui. A arquitetura de negócio requer uma forma para falar sobre conceitos de informação de negócio livre das restrições dos sistemas de TI. Por exemplo, na arquitetura de negócio é apropriado falar a respeito da Motivação do Cliente, um conceito de domínio que não é realizável por um sistema de TI porque não é (ainda) possível ler diretamente a mente de um cliente.

Embora conhecimento e sabedoria sejam construídos a partir da informação, eles normalmente caem no domínio do gerenciamento, porque eles requerem julgamento que interprete a informação de maneira que permita aos executivos tomar decisões altamente informadas.

Mapeamento de Informação

A arquitetura de negócio procura mapear as perspectivas do negócio. Estas perspectivas são originalmente objetos conceituais porque eles existem apenas na mente do praticante. Quando objetos conceituais que designam informações são traduzidos em uma forma documentada, eles se tornam o mapa de informações.

No mapa de informações, os conceitos de informação representam o vocabulário de negócio. Tornar os conceitos tangíveis desta maneira permite discussões e a criação de um consenso - um entendimento do propósito dos objetos de negócio e seus relacionamentos através de formas e linhas nomeadas. Com efeito, mapas de informação são uma fundação importante para o trabalho de arquitetura de negócio.
 
O BIZBOK Guide® fornece três conceitos de informação fundamentais para criar um mapa de informações básico:
  • Conceitos do Domínio: Estes itens representam categorias de objetos de negócio, tais como, receitas, inventários, empregados e tipos de ativos. Conceitos de domínio devem ser os conceitos iniciais elicitados para um mapa de informações, junto com definições e uma lista inicial de sinônimos.
  • Relacionamentos: Estes itens representam as conexões entre os conceitos de informação
  • Objetos de negócios distinguíveis: Estes são objetos de negócio identificáveis e distinguíveis, que pertencem ao domínio. Muitos nomes ou instâncias de objetos de negócio distinguíveis são determinados por padrões, tais como abreviaturas padrão da ISO para os países e jurisdições do mundo.
É comum começar a construção de um mapa de informações pela identificação e registro dos conceitos de domínio. Os conceitos de domínio representados no mapa de informações básico deveria ser de importância primária para o negócio.

Mapeamento de informações com ArchiMate®

Nós preferimos usar a semântica formal do ArchiMate para modelar as relações diretas entre cada instância de um domínio da arquitetura de negócios. Para traduzir os conceitos fundamentais do BIZBOK® para o ArchiMate, nós propomos usar o conceito de 'Objeto de Negócio' para representar conceitos de domínio e também objetos de negócio distinguíveis. De acordo com a especificação ArchiMate 3.0, um "objeto de negócio pode ser usado para representar ativos de informação que são relevantes a partir de um ponto de vista do negócio". A linguagem ArchiMate, em geral, foca na modelagem de tipos, não de instâncias, uma vez que isso é o mais relevante no nível de descrição da Arquitetura Corporativa. Assim, objetos de negócio normalmente modelam um tipo de objeto para o qual múltiplas instâncias podem existir no mundo real.

A figura abaixo apresenta um mapa de informações em ArchiMate, usando Objetos de Negócio:


Como mostrado acima, a linguagem ArchiMate permite que você use diversos relacionamentos entre os objetos de negócio. Por causa de sua semântica formal, mapas de informação ArchiMate fornecem uma percepção mais apurada da estrutura de seu panorama de informações.

Junto a estes objetos de negócios, o conceito de 'Significado' pode ser de grande ajuda. Ele representa "o conhecimento ou experiência presente em, ou a interpretação dada a, um elemento central em um contexto particular", o que é útil se, por exemplo, você quiser representar diferentes interpretações dadas para o mesmo conceito ou objeto por diferentes partes interessadas.

Relacionando Mapas de Informação ArchiMate com outras técnicas

Além do ArchiMate, outras técnicas mais detalhadas para a modelagem da informação também podem ser usadas no mapeamento de informações. As duas técnicas mais usadas são a UML e os Diagramas de Entidade-Relacionamento (ERD).

A UML tem suas raízes no desenho orientado para objetos. Seus diagramas de classe são particularmente úteis para o mapeamento de informações. De fato, a representação dos objetos de negócio e seus relacionamentos no ArchiMate deve muito ao UML, sendo basicamente um modelo menos detalhado que omite coisas como métodos, atributos e a cardinalidade dos relacionamentos.


ERDs possuem uma longa história no desenho de sistemas de informação. Eles são tipicamente usados em três níveis de desenho: conceitual, para descrever entidades de negócio como fizemos acima; lógico, para a modelagem dos relacionamentos e atributos destas entidades com maiores detalhes; e físico, para descrever o mapeamento para estruturas de bancos de dados. No contexto da arquitetura de negócio, diagramas conceituais e, às vezes, lógicos, são os mais úteis.


Mapeamento Cruzado

Além dos mapas de informação em si, é também útil criar mapeamentos cruzados com os outros domínios da arquitetura. Por exemplo, é importante saber quais informações são cruciais para quais capacidades de negócio quando (re)desenhando sistemas de informação. De forma similar, responsabilidades pela, e propriedade da, informação podem ser modelados usando um mapeamento cruzado entre os domínios da informação e da organização.

Em resumo...

Criar um mapa de informações abrangente e apropriadamente documentado pode permitir muitas atividades subsequentes, incluindo o alinhamento de requisitos de dados, desenho de serviços de aplicativos e esforços de arquitetura de dados com acurácia e eficiência aumentados. Desta forma, mapas de informação são uma adição indispensável para a caixa de ferramentas do arquiteto de negócio!



* Mark Lankhorst é Gerente de Consultoria & Evangelista-Chefe de Tecnologia, e Tim Vehof é consultor, da BiZZdesign, empresa líder em ferramentas para modelagem da arquitetura corporativa, representada no Brasil pela Centus Consultoria.


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